Como dirigente de empresa de serviços terceirizados, fiquei estarrecido com a notícia do porteiro de condomínio que atraiu uma jovem arquiteta para dentro da guarita, a matou, e jogou seu corpo em uma fossa, para roubar sua bolsa (noticiado em 16.08, passado). É um crime chocante que revolta qualquer cidadão, sobretudo pela banalidade do motivo, e ainda mais tendo ocorrido dentro da guarita do condomínio. O autor do crime é justamente aquele contratado para prover segurança às famílias residentes. É a primeira ocorrência policial envolvendo condomínio, na qual se divulga a informação de que o autor do crime era empregado de empresa terceirizada. Diante da violência e da insegurança na qual estamos vivendo, não é mais possível limitar a seleção de empregados a simples coleta dos documentos. Mesmo o atestado de antecedentes criminais não é suficiente, pois mesmo enquanto responde a processos criminais o indivíduo continua obtendo certidões negativas por muitos anos, pela presunção de inocência que goza, até a conclusão dos mesmos. A empresa tem que ter fonte segura de informação, que ateste se o indivíduo tem ou teve ocorrência criminal de qualquer natureza em seu prontuário, qualquer que tenha sido o tempo decorrido. Cartas de referências são importantes, mas não bastam, pois elas não dizem como é a personalidade e a atitude do indivíduo, seus vícios, se é respeitoso com o próximo, etc. Além do comprovante de residência e do exame de sua carteira profissional, deve-se exigir pelo menos três referências, entre síndicos e zeladores, com os quais trabalhou. Enfim, antes de contratar, deve ser feita uma verdadeira investigação do passado do indivíduo, qualquer que venha a ser sua função no condomínio. A ocorrência desse crime é um alerta para aqueles que contratam serviços sem os cuidados de verificar se a empresa é legalmente constituída, se tem certidões negativas, e sem antes ouvir testemunhos de pelo menos 4 ou 5 síndicos de condomínios clientes. É um alerta também para aqueles que contratam serviços com base no custo mais baixo, sem procurar saber qual será o salário que será pago aos empregados, e se serão inteiramente pagos em folha. Estamos cumprindo com nosso papel de empresa ética e responsável, pedindo ao Sindicato providências no sentido de coibir a proliferação de empresas de terceirização, sem condições técnicas e profissionais, de atuação, que apenas visam lucro imediato, sem qualquer compromisso com sua viabilidade no longo prazo, e muito menos com a categoria da qual faz parte.
Existem dezenas de empresas atuando no mercado sem o devido registro na JUCESP, e muito menos associadas a um sindicato. Enfim, uma vez decidido que a terceirização é a solução para os problemas do condomínio, muito cuidado na escolha da empresa que prestará serviços nos anos por vir. Etore Fuzetti etore@replaceporterceirizado.com.br |